16 coisas que você não sabia sobre a viagem de avião

Quando você se prepara para viajar, normalmente suas maiores preocupações são as passagens, chegar cedo no aeroporto, fazer o check-in, escolher um assento confortável, não perder a hora e embarcar, certo? Mas já parou para pensar em alguns pequenos detalhes – ou não tão pequenos – desde o momento em que você entra no avião até a hora que ele pousa?

(Foto: Thomas Hawk / Flickr)

(Foto: Thomas Hawk / Flickr)

Se você já se perguntou por que as luzes do avião se apagam na hora de decolar, esse post é para você. O RoadTrio conversou com dois pilotos de avião, Mauro Caputti Mattosinho, que trabalha com aviação executiva, e Fernando Miceli Moneo, piloto comercial, para esclarecer dúvidas e ainda matar algumas curiosidades. Veja abaixo.


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| Abrir as janelas na hora da decolagem ou do pouso

A exigência de manter as janelas abertas durante pousos e decolagens varia de empresa para empresa. Normalmente é orientado mantê-las abertas por questão de segurança. Sendo assim, caso ocorra algum imprevisto na parte externa do avião durante essas duas fases do voo (decolagem e pouso), os passageiros poderão visualizar e comunicar de imediato a equipe de comissários. Além disso, em uma evacuação de emergência, é importante a visualização do lado de fora da aeronave antes de iniciar a saída para certificar qual o melhor lado ou se há algo obstruindo a evacuação.

| As luzes se apagam quando o avião está decolando e pousando

Essa exigência é feita principalmente quando o procedimento ocorre no período noturno. O principal objetivo é de familiarizar os passageiros com o ambiente externo. Caso tenha uma eventual evacuação de emergência, os olhos precisam estar “acostumados” com o ambiente mais escuro para melhor orientação de onde está e para onde irá na saída da aeronave. Isso acontece sempre, claro, seguindo as orientações dos comissários de bordo. Sempre tenha certeza que tudo em uma aeronave é minimamente pensado visando aumentar a segurança.

| Por que existe modo avião no celular se, na maioria das viagens, temos que desligar o aparelho?

O desligamento do aparelho é obrigatório apenas durante pousos e decolagens para proteger os sensores eletrônicos de navegação aérea e orientação de voo. A regra também é para não afetar outros instrumentos do voo que possam sofrer interferência causada pelos sinais de aparelhos. Os celulares podem enviar informações errôneas no painel de controle do avião. Mas, com o avanço da tecnologia, sistemas de proteção estão sendo implementados nas aeronaves mais novas para que, em breve, o uso do celular a bordo seja liberado.

| Voltar o encosto do banco no pouso e da decolagem

O encosto deve permanecer na vertical durante essas duas fases do voo para facilitar a circulação dentro da aeronave em um procedimento de evacuação de emergência. Da mesma forma, não é permitido nenhum tipo de bagagem nas saídas de emergência, para que não haja nenhuma obstrução que prejudique os passageiros e a tripulação. As saídas de emergência já possuem um tipo de assento que não reclinam e com um espaço entre as poltronas um pouco maior justamente para facilitar a circulação.

Durante a homologação de uma aeronave,  é feita uma simulação de evacuações que deve ser concluída abaixo de um determinado tempo limite. Para isso, adotam-se todos esses padrões, que devem ser rigorosamente seguidos em cada voo de rotina. Na história da aviação, muitas fatalidades aconteceram por evacuações mal sucedidas, mesmo depois de pousos de emergência bem sucedidos.

| Crianças não podem sentar nas saídas de emergência

Os passageiros que ocupam as saídas de emergência devem estar capacitados fisicamente para abrir essas janelas caso haja necessidade, seguindo as orientações da equipe de comissários. Por esse motivo é proibido a acomodação de crianças ou de qualquer outra pessoa que possa ter dificuldades na operação dessas portas. Caso o passageiro esteja dentro dos padrões, mas não se sinta a vontade para estar ali, é possível solicitar ao comissário a mudança de lugar.

| Quanto tempo dura o oxigênio da máscara de oxigênio?

O tempo de oxigênio pode variar de acordo com equipamento a bordo, sendo uma média de 15 a 21 minutos. Esse é tempo suficiente para a realização de uma manobra de descida de emergência até chegar em uma altitude em que não haja a necessidade de máscaras de oxigênio. Essa altitude gira em torno de 10.000 pés (3.048 metros). O sistema que fornece esse oxigênio consiste em um gerador químico, ao contrário do que as pessoas imaginam. Carregar cilindros de gás oxigênio a bordo seria um peso muito grande e uma carga altamente inflamável. Por isso, o sistema dos aviões é acionado quando a máscara é puxada e um lacre é rompido, fazendo uma mistura de clorato de sódio e pó de ferro, reação que produz o oxigênio.

(Foto: Miikka H / Flickr)

(Foto: Miikka H / Flickr)

| Ar condicionado forte durante o voo

A temperatura dentro do avião varia entre 21º C à 25º C. O ar condicionado é parte vital do sistema de pressurização da aeronave e deve ser mantido ligado durante o tempo todo. De qualquer forma, existe a possibilidade de se controlar a temperatura pela tripulação.

| Como é a rotina do piloto dentro da cabine?

Eles são responsáveis pela segurança de voo como um todo, além de levar os passageiros da origem ao destino com segurança e conforto. Dentro da cabine, eles fazem toda a preparação técnica do avião, bem como a inserção dos dados do voo, plano de voo, navegação, cálculos de performance, análise de meteorologia da rota, programação de computadores, configuração dos instrumentos, rádios e radares, coordenações a autorizações junto a torre de controle, checagem do carregamento da aeronave etc. Ufa! A aeronave segue o caminho pelo piloto automático, que libera os tripulantes de tarefas manuais, deixando-os focados na alta carga de trabalho envolvida na decolagem e pouso.

Instruções e restrições devem ser cumpridas pelos pilotos, de altitude, velocidade, conforme o procedimento antecipado ainda em solo, ou seguindo novas necessidades do órgão de controle. A cada nova fase de voo (decolagem, subida, cruzeiro, descida etc.) são executados novos briefings e check lists para configurar a aeronave de acordo com as condições especificas de cada momento. A companhia aérea preconiza em seu manual de operações a rotina padrão a ser adotada, assim como cada modelo de avião possui suas particularidades. Mas, no geral, em situações dentro do padrão, os pilotos ficam liberados para tarefas de planejamento.

| Piloto e co-piloto realmente comem refeições diferentes?

Atualmente as refeições embarcadas para a tripulação têm algumas variações para que cada um possa escolher o que mais lhe agrada, pela ordem de hierarquia – primeiro os pilotos e em seguida os comissários. Não há nenhuma proibição de comandante e co-piloto comerem o mesmo tipo de comida, mas muitas vezes é essa a opção da companhia. Assim, evitam que uma intoxicação incapacite ambos os tripulantes.

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| Animais devem ser transportados em uma área exclusiva

Alguns animais de pequeno porte podem ir a bordo junto ao dono, desde que estejam devidamente acomodados em uma frasqueira, evitando que o animal circule pelo avião e cause um certo desconforto aos outros passageiros. Animais um pouco maiores necessitam ir no compartimento de carga do avião, pois lá estarão melhor acomodados devido a falta de espaço na cabine de passageiros. Outros animais maiores que necessitam de um cuidado especial, somente poderão serem transportados em aviões de carga.

Ao contrário do que muitos pensam, o porão de carga da aeronave é pressurizado como a cabine de passageiros (caso não fosse, o assoalho da cabine não resistiria ao diferencial de pressão). Se algum animal estiver embarcado, as luzes do local são acesas. As companhias possuem regras e limitam o número de animais por voo, bem como o número de espécies no porão. Lembrando que o porão de carga é o lugar onde vão as bagagens e não há um local específico para transporte de animais.

(Foto: Hardian Muljadi / Flickr)

(Foto: Hardian Muljadi / Flickr)

| Cobertores e travesseiros são higienizados de que forma?

Isso depende muito de cada companhia aérea. No geral, todos estes itens são enviados a uma empresa terceirizada para higienização total e relacre. Esse é o procedimento teórico, porém há todo tipo de boatos sobre esses itens (inclusive de que eles não são higienizados, apenas colocados em novos sacos plásticos). O mesmo acontece com os fones de ouvido.

| Avião tem mais dificuldade de decolar em dias quentes?

A performance de um avião está diretamente ligada às condições atmosféricas do momento. Vamos voltar um pouco para as aulas de física: em um ambiente com temperatura alta, a pressão diminui, fazendo com que as partículas do ar se afastem e, quando temos um dia frio, a pressão aumenta e as partículas do ar se juntam. Para que um avião possa decolar, a grosso modo, é preciso de vento relativo (ar), e quanto mais separadas estiverem as partículas do ar – normalmente em dias quentes – maior espaço iremos precisar para ter a sustentação ideal para decolar.

Resumidamente: sim. Todos esses cálculos levam em consideração o cenário de tudo isso acontecer com a perda de um dos motores. Caso uma situação ocorra na qual a temperatura realmente restrinja a decolagem de uma aeronave, há a possibilidade de diminuir a carga a bordo.

| Como a traseira do avião não bate no chão na hora de decolar?

O evento de uma aeronave bater a cauda no chão durante a decolagem se chama “tailstrike”. Existem alguns fatores que podem gerar um tailstrike, e os cálculos corretos da performance da aeronave e do seu centro de gravidade são o ponto de partida para evitar esse problema na decolagem. Uma tentativa de decolar a aeronave com baixa velocidade pode levar ao uso de um ângulo exagerado sem a sustentação necessária para tirar a aeronave do solo. Isso deve ser evitado com a revisão dessa velocidade de rotação por ambos os tripulantes antes da decolagem, e do callout (o piloto monitorando, “canta” para o piloto operando, determinada informação) das velocidades.

Além disso, cada modelo de aeronave possui uma técnica particular de “rotação” que deve ser rigorosamente cumprida pela tripulação. Embora a pergunta se refira ao tailstrike na decolagem, estatisticamente 65% desses eventos ocorrem no pouso. Geralmente é leve, e não é uma situação de emergência, porém irá exigir o retorno da aeronave e parada para manutenção.

Curiosidade: uma manutenção mal executada em um 747 da Japan Airlines após um tailstrike, foi responsável por anos. Esse avião teve uma ruptura da cauda por fadiga de material, causando um dos maiores acidentes da história, que matou 520 pessoas.

(Foto: My16SidedOffice / Flickr)

(Foto: My16SidedOffice / Flickr)

| Se não é permitido fumar, porque tem cinzeiros nos banheiros?

Isso deve-se a configuração do fabricante de cada aeronave de modo que atenda a um padrão para o mundo todo. Fumar a bordo é proibido no Brasil e em qualquer território em que um avião de matrícula brasileira esteja voando, porém podem ocorrer variações de acordo com as leis de cada país. O critério de homologação da FAA foi desenvolvido na década de 70 após um acidente ocorrido com uma aeronave causado por fogo a bordo após um cigarro ser jogado no lixo convencional. Ele leva em consideração a possibilidade de, mesmo sendo proibido, alguém ainda o fazer.

| Cabelo ‘elétrico’ durante a viagem

A eletricidade estática acumulada nos cabelos é fruto do ambiente extremamente seco.

| É verdade que metade do ar na cabine é reciclado?

Sim, ele vai sendo reciclado de acordo com o sistema de ventilação e circulação de cada aeronave, mesmo estando em um ambiente pressurizado. O sistema que cria uma atmosfera habitável na cabine de jatos comerciais possui uma válvula chamada “outflow”. Essa válvula é responsável por deixar escapar o ar que é trazido para dentro da cabine, na proporção adequada para manter a pressurização. Assim, ele não faz distinção entre “ar velho” ou “ar novo”.  O ar injetado na cabine é composto numa razão de 50/50 por ar externo e ar que volta a circular na cabine, que é filtrado.

Sobre o autor

Formada em jornalismo, já passou algumas temporadas na Califórnia e em Barcelona. Os anos de cobertura de Semanas de Moda passaram e fizeram com que ela descobrisse que o seu verdadeiro estilo é viajar.

4 Respostas

  1. patricia

    Olá, gostaria de manter contato, sou brasileira e vivo em Valência, Espanha

    Responder
    • Amelia Ana

      Importante saber, mas como sou brasileira me enquadrando nos índices de pouco viajar e nunca ter viajado de avião. Pois, altura, não me atrai. Sempre é bom saber caso necessário.

      Responder
      • Amelia Ana Albuquerque Santana

        Importante saber, mas como sou brasileira me enquadrando nos índices de pouco viajar e nunca ter viajado de avião. Pois, altura, não me atrai. Sempre é bom saber, caso necessário.

      • RoadTrio

        Viajar de carro é tudo de bom também! :) Mas tente viajar para pertinho e ir perdendo esse medo! :) Beijos

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