Você consegue os seus dias de folga ou férias no trabalho, quer viajar, dar a volta ao mundo, fazer aquele mochilão tão esperado ou passar apenas uma semana naquele país dos sonhos. Mas aparece um grande problema: nenhum dos seus amigos e familiares pode ir. E agora?

Existe muita gente que não curte muito essa de estar sozinho por um longo período e que realmente gostam de compartilhar bons momentos com pessoas queridas. Na realidade, a maioria das pessoas é assim. Porém, quando o assunto é viajar, você não pode criar barreiras. O mundo é grande. Com certeza você terá outra oportunidade para viajar com o seu grande amigo ou ir para a praia com a família toda.

A questão é: se você tem uma chance (e grana) para cair na estrada, por que não aproveitar para descobrir algumas coisas diferentes? Essas descobertas podem ir muito além de um novo local. Veja abaixo alguns pontos – positivos e negativos – sobre a experiência de viajar sozinho.

| A decisão é sempre sua

(Foto: Bill Dickinson/Flickr)

Egoísmo à parte, essa talvez seja a parte mais libertadora da viagem. Você faz o seu roteiro, você escolhe quantos dias vai passar em uma cidade, você decide o que vai fazer durante o dia e você programa o despertador de acordo com o horário que quer acordar. Tem coisa melhor?

Viajar em grupo exige muito jogo de cintura. Parece que não, mas, acredite, vocês irão ter que debater muito sobre as vontades e expectativas de cada um. Pode ser que a escolha geral da viagem seja fácil, mas as coisas pequenas, como uma parada para o almoço, pode gerar conflito. Claro, você está viajando e as coisas precisam ser encaradas de maneira mais leve. Mas a questão é: quando se está sozinho, você manda em você mesmo.

Se você não se sente tão seguro com as decisões, faça muita pesquisa e antes de embarcar, converse com amigos que já foram para o local. Pode ser que a visão de alguém de fora te ajude a ter mais confiança no roteiro. Porém, as decisões simples do dia a dia devem ser encaradas como experiência e não como sacrifício. A sensação de liberdade que isso causará será gigantesca. Você literalmente será dono do seu nariz.

| Descobrir mais sobre você

(Foto: kcakduman/Flickr)

Essa, sem dúvida, é a melhor parte da viagem. O autoconhecimento é um clichê que muitas pessoas falam ser importante. Viajar desacompanhado pode ser um bom momento para isso, não? É tão piegas dizer, mas você irá descobrir tanta coisa sobre o seu comportamento, que vai se surpreender.

Cada um tem as suas manias. Pense, quantas vezes você não se irritou com aquele colega que agiu de uma maneira e você não concordou? Ou quando uma pessoa é tão metódica que você até cansa? A verdade é que muita gente também não concorda com você em 100% das suas atitudes. Quando se viaja sozinho, você faz tudo do seu jeito, o que fará você perceber que tem costumes que são chatinhos também.

Além disso, a viagem solitária vai fazer com que você aprenda a lidar com os imprevistos, o que muitas vezes você acha que não seria capaz de fazer. Quando se está com os amigos e ocorre um grande problema, ou não entende o que o guarda do metrô está te falando, você acaba se virando com mais facilidade. Ou esperando que alguém o faça por você. Ao estar sozinho, você precisa aprender a se virar, enfrentar os medos e receios, e dar a cara à tapa. Com certeza você vai se virar, apenas ainda não sabia disso.

| Reflexões e observação maior

(Foto: Alex Proimos/Flickr)

Dentro ainda da questão do autoconhecimento, essa viagem pode ser uma oportunidade para refletir sobre a vida. “Ah, que saco esse papo de pensar sobre o que deixei no meu país de origem”. Ok, mas você vai perceber que fará isso de maneira involuntária. É tanto tempo que passará sozinho, que apenas as coisas da viagem não serão suficientes para ocupar a sua mente.

Mas dentro da questão de reflexão e observação, quando você está sozinho, absorve muito mais tudo o que está ao seu redor. Você vai se surpreender quando, durante a visita a um museu, se pegar observando uma obra de arte por longos minutos. Provavelmente, em outra ocasião, você nem teria entrado nesse museu! Esse sentimento se estende para além de museus e obras de arte. Em um parque, por exemplo, a falta de uma companhia faz com que seu olhar fique mais aguçado e você vai observar com mais atenção o dia a dia e o comportamento das pessoas.

Aproveite a oportunidade para aprender a olhar tudo de outra maneira, perder seus preconceitos e veja outras formar de se viver. Nem tudo é aquilo que gira ao seu redor.

| Não ter com quem compartilhar

(Foto: RoadTrio)

Talvez a maior barreira para muitas pessoas e o que pode pesar negativamente durante uma viagem solitária, é a falta de pessoas (conhecidas) para conversar. É demais a sensação de ver algo tão sonhado bem ali na sua frente e compartilhar esse momento com alguém especial. Realmente, nesse ponto, quando se está sozinho é mais difícil. Mas pense: você tem você mesmo para compartilhar a situação. Guarde um pouco dessa alegria para quando for contar a experiência para seus amigos, em casa.

Algo que ajuda a minimizar esse vazio é escrever em um diário. Isso fará com que você reviva novamente aquele momento com as pessoas queridas. Não é a mesma coisa, mas também não será o fim do mundo. Converse com você mesmo, tire foto e aprecie para não perder nenhum detalhe quando quiser compartilhar com outra pessoa.

| Ficarei muito sozinho?

Happiness

(Foto: Kacper-Gunia/Flickr)

Isso vai de cada um. Depende apenas da sua vontade e disposição. Conheça um morador local, troque ideia com o guia do tour que você escolheu, ou apenas bate papo com outro turista na fila do museu. Você com certeza terá mais oportunidade do que imagina.

Se você é uma pessoa que adora conversar e super expansiva, vale a pena se hospedar em um hostel. Mesmo que não curta compartilhar o quarto com desconhecidos, muitos têm a opção de acomodação individual. Assim, você aproveita a área comum, como sala e cozinha, para ficar conversando e fazer novos amigos. Falando especificamente de hostel, é bem provável que você encontre pessoas na mesma situação que a sua, viajando sozinho e doidos para puxar papo com alguém.

Se você não é daqueles que têm facilidade em fazer amizade, não tem o jeitinho de começar uma conversa com aquele desconhecido, insisto na dica de ficar em um hostel. O público desse tipo de hospedagem, sozinhos ou não, estão sempre abertos a trocar ideia. Basta sentar-se perto de um pessoal que a coisa acaba fluindo.

Conhecer novas pessoas, de culturas e visões diferentes, faz parte da experiência de uma viagem. Agora, se você não gosta e tem aquela preguicinha de ficar se esforçando para achar assunto em comum depois de um dia puxado, não precisa. Apenas vá para o seu quarto e curta o seu momento.

| Idioma

(Foto: Susanne Nilsson / Flickr)

Não fala inglês? Ninguém por perto entende um espanhol meia-boca? A mímica está aí para isso. Você estava sendo preparado desde pequeno, com as brincadeiras de colégio, e não sabia. Essa é uma linguagem universal. A outra opção são os aplicativos de celular com tradução simultânea. O RoadTrio já trouxe algumas opções de aplicativos que podem te ajudar durante a viagem.

| É preciso ter atenção redobrada

Jean-François Gornet

(Foto: Jean-François Gornet/Flickr)

É triste afirmar isso, mas quem mora no Brasil, tira de letra o quesito segurança. Claro, você deve evitar países que estão em conflito, mas isso serve até mesmo quando se viaja com outras pessoas.

Uma dica boa é conversar com o recepcionista do hotel assim que fizer o check-in. Como a maioria dos hotéis e afins têm um mapa da cidade sempre à mão, peça para que o atendente mostre as regiões que devem ser evitadas. Assim, fica mais fácil de se planejar e não cair em um beco medonho no meio da noite.

Quando se está em uma cidade com costumes e cultura diferentes, é preciso sempre estar alerta. Evite caminhar de madrugada por ruas sinistras, entrar em locais suspeitos ou até dormir em um hotel que não te passa segurança. Esses são pontos mais do que fundamentais.

Se você estiver sozinho, estará muito mais vulnerável para aquelas pessoas maldosas que ficam esperando o turista desligado para se aproveitar. E não digo apenas desse tipo de segurança. Até mesmo se arriscar em uma caminhada em uma floresta, fazer algo extremamente radical. Tudo isso também deve entrar no radar ATENÇÃO.

Sempre que possível, mantenha alguém informado sobre seus planos para determinado dia. Seja um e-mail para um amigo, ou mesmo um aviso para o funcionário da recepção. Esse pequeno cuidado dá mais tranquilidade para você e para que está te esperando em casa.

Lembre-se, você está sozinho e se algo acontecer, você não terá ninguém para te ajudar. Claro, existem outros seres humanos em volta. Mas não é bom deixar a sua sorte na mão de estranhos.

| Sou mulher, não é perigoso?

(Foto: Jose M. Vazquez/Flickr)

Não. É aí que entra todos os pontos levantados na matéria. É preciso ter cuidado, porém o mundo não é um cenário de guerra em que existem apenas homens atrás de mocinhas sozinhas para serem abusadas. Até porque, muitas pesquisas, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que a maioria das mulheres são violentadas por pessoas conhecidas. Ou seja, você está em perigo constantemente até em casa.

Pode parecer exagero tocar em um assunto tão pesado quando se fala em turismo, mas é que muita gente se apega a esse medo para cancelar uma viagem.

Claro que você não vai se jogar sozinha por aí em um país sabidamente machista e por cidades conhecidas pela falta de segurança. Mas a questão é que, depois de passar algum tempo na estrada, é possível perceber que muitos dos conflitos que enfrentamos longe de casa, vivemos também no dia a dia. Basta apenas ter jogo de cintura. Seja homem ou mulher.

Se você estiver viajando pelo Brasil, dá para se juntar ao Movimento Vamos Juntas, que propõe que mulheres desconhecidas se juntem para caminhar por trechos não muito seguros.

| Inspire-se!

(Foto: Hernán Piñera / Flickr)

Se ainda restam dúvidas se vale a pena ou não viajar sozinho, a internet está aí para te ajudar. Existem muitos blogueiros que viajam sozinhos com frequência e vivem relatando as experiências. Alguns deles são os do 360 Meridianos, do Preciso Viajar, do Matraqueando e a Mari Campos – todas mulheres, para te convencer mais ainda.

Para dar mais um empurrãozinho, veja a lista que o Buzzfeed fez sobre 22 alegrias únicas de viajar sozinho.

O  RoadTrio sempre aconselha você jamais perder a chance de colocar o pé na estrada. Tente, faça esse esforço. Para começar, vá para um local mais perto. Se não estiver confortável, pegue o primeiro trem e volte. Porém, se nem isso te convence, você não é obrigado a viajar sozinho. Espere a oportunidade de alguém ir com você. Simples.

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

3 Respostas

  1. A experiência de ser uma travel-writer - RoadTrio

    […] Bom, depois de longos dias cruzando a capital, tinha chegado a hora de descobrir aquele lado que nem eu conhecia. Que momento maravilhoso. Adoro quando você não sabe de nada sobre algo e resolve entrar de cabeça. Tudo era novo e, pela primeira vez, eu estava sozinha. Aliás, foi dessa viagem que tirei a experiência em viajar sozinha, tema que rendeu uma matéria especial aqui no RoadTrio. […]

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