A partir desta semana, mais precisamente desde ontem (1º de outubro), está disponível nas prateleiras das livrarias a 10ª edição do Guia do Viajante Europa, conhecido também como Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. Para quem gosta de viajar no estilo mochileiro, ou até mesmo aquele que precisa economizar alguns euros ou pounds durante a viagem, esse livro é essencial.

Ele é o primeiro e único guia feito por brasileiros e para brasileiros. Essa edição, além de atingir a marca especial de 10ª edição, traz muitas novidades. O livro contempla, literalmente, toda a Europa, com 50 países, organizado em 12 regiões. E para facilitar para o viajante que não for rodar todo o continente, o guia está dividido em 3 volumes, assim é possível levar apenas um na bagagem, fazendo menos peso.

Todo o conteúdo foi escrito a diversas mãos, até porque a Europa é grandinha o suficiente para precisar de especialistas para cada região e para cada tipo de item destacado, como restaurante e hostel. Ok, mas por que estou falando desse guia? Em primeiro lugar, indico e sempre indiquei para qualquer viajante. Desde o meu primeiro mochilão para o velho continente, levo o meu na mala. As dicas são ótimas e realmente segue o propósito dele.

Em segundo, e o principal motivo dessa matéria, é que eu fui uma das cinco pessoas escolhidas para atualizar e reescrever esse exemplar. Isso mesmo, o RoadTrio (que ainda não existia) de certa forma também fez parte dessa super edição.

| O início de tudo

Tudo começou há quatro anos, quando eu estava prestes a ir morar em Dublin, na Irlanda. Como já conhecia os livros do Viajante, sempre acompanhava as atualizações pelas redes sociais, sites etc. Quando estava prestes a embarcar para a Europa, eles abriram o processo seletivo para novos travel-writers, ou seja, para escritores viajantes.

 

Ser travel-writer é ter que tomar chuva pela melhor informação (Foto: RoadTrio)

Como jornalista e amante de viagens, resolvi arriscar. O “não” eu já tinha e seria demais poder participar dessa publicação tão especial. Depois de algumas etapas de processos seletivos, entrevistas e até um bate papo com o dono e editor chefe, Zizo Asnis, recebi a resposta positiva, já do outro lado do oceano. A felicidade foi tremenda. Tinha acabado de chegar à Irlanda e já iria embarcar para outra grande aventura.

Muitos acharam que seria uma mamata: viajar, ganhar coisas e escrever um pouco. Engano de quem pensou isso. Antes mesmo de pegar o primeiro avião, foi feito muito planejamento. Trocas de e-mails entre os envolvidos no projeto, definição de roteiros, estudar cada destino, entrar em contato com todos os Centros de Informação ao Turista…. Ufa, tinha muita coisa a ser feita.

Como éramos cinco viajantes mais o Zizo, que nos encontraria em determinados trechos, tivemos que dividir a Europa de uma forma lógica para facilitar o deslocamento. Eu fiquei encarregada de cobrir com Londres, Irlanda, Irlanda do Norte e uma parte da Itália.

Roteiro definido, o passo seguinte foi começar o meu planejamento. Estudei tudo que já tinha no Guia, entrei em contato com todos os estabelecimentos dizendo que iria fazer uma visita e ainda pesquisei dezenas de lugares novos e inusitados pelas cidades. Até porque, nem todo viajante quer apenas turistar. Muitos querem conhecer o lado B, aquelas atrações que apenas os locais frequentam. Eu, como adoro isso, resolvi ir atrás dessas informações para contemplar no guia.

| Primeira parada

Além das informações coletadas por e-mail e telefone, ainda teria que visitar cada local durante o meu período de viagem. Comecei por Londres, que ficava ali ao lado e eu já conhecia um pouco. Passei 9 dias na cidade, e acreditem, ainda foi pouco. Como eu conhecia os principais pontos turísticos da capital britânica, aproveitei os dois primeiros dias apenas para checar os dados que já estavam no guia. Muito metrô, muita bateção de perna e muito treino do meu inglês, que estava bem enferrujado. A boa notícia é que esses lugares que recebem os turistas estão super acostumados a também receber travel-writers e são bem solícitos em nos dar informações. Claro, por puro interesse em aparecer em um guia de viagens, ainda mais brasileiro, mas é um ponto bem positivo para quem está correndo atrás de tanta informação.

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A loja do M&M´s, na Leicester Square, é uma das atrações do guia (Foto: RoadTrio)

Bom, depois de longos dias cruzando a capital, tinha chegado a hora de descobrir aquele lado que nem eu conhecia. Que momento maravilhoso. Adoro quando você não sabe de nada sobre algo e resolve entrar de cabeça. Tudo era novo e, pela primeira vez, eu estava sozinha. Aliás, foi dessa viagem que tirei a experiência em viajar sozinha, tema que rendeu uma matéria especial aqui no RoadTrio.

Além de muita pesquisa em livros, internet e ficar horas no Centro de Informação ao Turista, o segredo que descobri para ser um travel-writer é conhecer as pessoas, gente nova, principalmente moradores da cidade. É ali que estão as melhores dicas e curiosidades da cidade. Quase toda noite me sentava com a dona do hostel que me hospedei e ficava conversando durante horas. Ela me deu tantas dicas bacanas, que só quem comprar o guia saberá. Brincadeiras à parte, muitas dicas ainda vão aparecer aqui no site.

Aliás, essa dica de conversar com as pessoas que moram no local, vale para qualquer pessoa que estiver viajando. Com certeza aquela pessoa do bar do hotel conhece mais da cidade do que o guia que está em suas mãos.

| Pedras no caminho

De Londres partiria para Roma, na Itália, mas por conta de imprevistos, tive que retornar às pressas para a Irlanda. Depois de alguns dias em Dublin, resolvi embarcar novamente e segui para a Itália.

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Florença é sem dúvida uma das cidades queridinhas (Foto: RoadTrio)

Por lá, percorri cidades como Veneza, Florença (a minha paixão italiana), Pisa, Siena, Bolonha, Verona, Milão e Arezzo. Foram mais de 20 dias pelas estradas italianas e, sem dúvida, foi a melhor experiência de todas. Algumas dessas cidades eu já conhecia, e assim como Londres, pude partir direto para as novidades, sem precisar ir para atrações convencionais.

Por adorar tanto a Itália, meu trabalho foi mais difícil. Cada cantinho renderia pelo menos 5 matérias. Selecionar só algumas atrações foi quase uma injustiça.

| O lado irlandês

Como morava na Irlanda, ter sido destacada para escrever sobre a região foi uma escolha óbvia. Claro, não sou uma nativa, mas já conhecia o melhor da capital irlandesa, por exemplo. O maior desafio foi escrever sobre a Irlanda do Norte, pois ela não constava nas edições passada, ou seja, tive que iniciar a pesquisa desde o começo e as coisas mais simples, como a história do país.

Quase todo fim de semana ia para um local diferente para acrescentar no livro. A atenção teve que ser redobrada, pois eu tinha que sentir o clima do lugar a cada passo que eu dava.

| A vida de travel-writer

Durante os meses que passei viajando, o que mais me questionaram foi a praticidade e regalias que um travel-writer tem. Elas existem, não vou mentir. Consegui hospedagem de graça em locais, alguns eram albergues caindo aos pedaços, outros eram quartos maravilhosos em hotéis 5 estrelas. Ou seja, tem de tudo.

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A cidade de Pisa, na Itália, tem muitas atrações para quem quer passar apenas um dia (Foto: RoadTrio)

Como temos que viajar muito – e gastar muito -, qualquer ajuda é sempre bem-vinda. Por isso mesmo não dispensava aqueles locais conhecidamente simples, que dificilmente indicaria aos amigos. O que eu ganhei além de economizar? Experiência. Parece clichê, mas é verdade quando eu digo que cada local tem sempre uma surpresa (boa ou não!) reservada para você.

Algumas atrações dão entrada livre ou desconto para jornalistas, outros apenas para pessoas que têm a carteirinha de travel-writer com identificação da empresa. A minha sorte é que eu me encaixava nos dois quesitos. O mesmo acontecia com restaurantes, porém esses são um pouco mais rigorosos e menos caridosos.

Muitas coisas, a maioria por sinal, não foi gratuita. Muito dinheiro foi gasto para viajar e levar a melhor informação e experiência aos viajantes. Além disso, incontáveis horas de pesquisa e andança devem entrar nessa conta. Ah, é importante dizer que não é porque me hospedei em um local sem custos que indicaria com vários elogios no guia. Pelo contrário, desde o começo é dito aos estabelecimentos que, como jornalistas, temos a responsabilidade de levar informações sinceras, imparciais e, acima de tudo, dicas valiosas. O lugar não é bom? Não entra. Se vale citar, será com recomendações negativas. Se o local é bom e mesmo assim não deu cortesia, merece destaque muitas vezes.

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Verona, na Itália, irá encantar qualquer um, mesmo aqueles que não gostam da história de Romeu e Julieta (Foto: RoadTrio)

Ou seja, as ajudas são bem-vindas, porém não interferem de maneira alguma na opinião dos viajantes que produziram o guia.

Aliás, não pense que é só alegrias. Descobrir os horários de funcionamento, preço e principais obras dos 58 museus de Londres demanda tempo, paciência e muito planejamento. Se você perder muito tempo para apurar essas informações, todo o resto da viagem fica comprometido.

| Nota final

Ter viajado quatro países com uma responsabilidade profissional e não a lazer, foi um experiência única e que aguçou o meu olhar como jornalista, editora do RoadTrio e, mais do que tudo, como viajante.

Enfim, vale a pena!

Quem estiver com viagem marcada, não deixe de ver o guia. Quem já conhece, sempre compra a nova edição. Vai por mim!

Informações Gerais

Guia O Viajante Europa 10ª edição
Autor: Zizo Asnis
Editora: O Viajante / Trilhos e Montanhas
Número de páginas: 2022
Países: 50 países / 3 volumes
Preço: R$ 199,00 (box com 3 volumes) ou R$ 75,00 (cada volume)

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

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