Decidido o próximo destino, é hora de economizar. Pelo menos é isso que vem à cabeça de quem quer fazer uma grande viagem. Claro, não é possível viajar totalmente sem grana, mas ao contrário do que pode parecer, acredite: não precisa de muito dinheiro. Existem os que não gastam com nada, ficam em hostel mais baratos e comem só lanches rápidos. Já outros, preferem o conforto de quartos de hotéis, comer em restaurantes renomados e visitar t dezenas de atrações pagas.

Eu me considero um meio termo e nunca gastei absurdo em uma viagem. Procuro ficar em hostel com quarto compartilhado (já dividi meu quarto até com 62 pessoas), comer comidas típicas (o que nem sempre quer dizer que são caras, pelo contrário) e conhecer o máximo da cidade a pé, pois prefiro a essência do dia a dia e não apenas museus e pontos turísticos.

Sendo assim, a pergunta mais comum quando volto de viagem é: quanto você gastou? Sim, é relativo. Mas odiava quando entrava em um site e encontrava essa resposta. Pois bem, vamos lá acabar com essa relatividade. Vou me basear nos meus gastos e meus gostos de mochileira.

Antes de entrar em valores, acho legal falar de uma “regrinha” que criei: a lei da compensação. Explico: se um dia eu gastei 2x o valor do meu orçamento diário, nos dias seguintes dou uma segurada para compensar a grana e continuar no azul até o final da viagem.

Não é simplesmente seguir uma fórmula matemática milagrosa e, pronto, a viagem sairá dentro daquele valor. Afinal, todos sabem que sempre aparecem os imprevistos ou até mesmo aquela atração imperdível, que mesmo que custe o olho da cara, você não deixará de visitar. Mas a regra, no geral, funciona bem.

Um exemplo para ficar mais claro: na Alemanha tiveram dias que gastei apenas um terço do que havia planejado. Com isso, na semana seguinte, quando fui à Suíça, pude me dar ao luxo de fazer um passeio caro, mas incrível. Ou seja, economizo em uns lugares e em outros extrapolo porque quero aproveitar alguma oportunidade única.

Aliás, essa de ir para um local maravilhoso e não poder comer algo que tenho vontade ou deixar entrar naquele museu imperdível não é comigo. Eu viajo para viver aquilo e jamais para tirar foto nos pontos turísticos e marcar no meu mapinha os locais que eu já fui. Se vou até lá, que eu conheça do meu jeito.

Na ponta do lápis

Saindo da teoria e colocando na prática, vamos aos valores. Sempre faço a conta de gastar, no máximo, 60 da moeda local por dia. Ou seja, se vou para à Itália, 60 euros. Se vou para a Suíça, é só converter os 60 euros para a moeda local. Acho que esse é um valor intermediário. Não dá pra fazer uma viagem ostentação, mas também não passo vontade.

Uso como exemplo a Europa porque foi por onde eu mais viajei. Normalmente escolho um hostel de no máximo 20 euros por dia. Claro, se vejo um sensacional por 25, vou nele. Mas também não me acanho em escolher um de 8 euros (já fiz e foi muito boa a economia).

Para comer, tento reservar 20 euros também. Se quero comer melhor no almoço, a noite eu compenso e vou de lanche (você come um McDonald´s por 5 euros). Eu gosto de provar comidas típicas e não tenho frescura para comer em barraquinhas de rua, que normalmente praticam preços bem amigáveis. Então normalmente 20 euros são o suficiente.

Os outros 20 euros, uso para transporte (que quase sempre evito, pois prefiro caminhar), atrações turísticas, lembrancinhas e tudo o que aparecer.

Lembro novamente que a divisão entre transporte/alimentação/atração varia muito de um lugar para outro, mas a regra da compensação sempre prevalece.

Eu uso a Lei da Compensação não só quando estou na estrada, mas para programar minhas próximas viagens também. Dificilmente emendo duas férias em lugares caros. Se passei algumas semanas viajando pelo Leste Europeu, provavelmente meu próximo destino será alguma cidade brasileira, pertinho de casa. O que vale é viajar sempre!

Seguindo essas dicas, você vai ver que que não precisa de muito dinheiro para viajar. Se você tem, ótimo! Aproveite que será o melhor gasto do mundo. Se não tem, meta a cara e arrisque. Melhor conhecer o mundo dormindo em hostel, do que se limitar por causa de alguns centavos e deixar de conhecer lugares diferentes.

Para ficar claro, nesses gastos não coloquei o transporte entre as cidades e o avião para chegar até a Europa (no meu caso que estou no Brasil). Gastos extraordinários, que saem da rotina da viagem, sempre devem ser calculados à parte. Dito isso, pegue a calculadora, aperte o cinto e caia no mundo.

 

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

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