O Burning Man, famoso festival de contracultura que acontece desde 1986 em Black Rock Desert, no estado de Nevada (EUA), teve mais uma edição no mês de setembro e, como de costume, reuniu milhares de pessoas.

O evento é uma grande galeria de arte a céu aberto. O espaço, batizado de ‘Playa’, reúne diversas manifestações artísticas ao redor de uma escultura gigante de madeira que é queimada ao fim do festival. Daí o nome Burning Man.

*** Neste sábado, dia 8, acontecerá o Inner Sessions na Flagship Chilli Beans, uma tarde de música, amigos, drinques e exposição das fotos e vídeos da viagem para o Burning Man! O Dre toca ao pôr do sol! (Rua Oscar Freire, 1072, 01426001 São Paulo, Brazil)

Nosso colaborador Dre Guazzelli estava por lá e contou a experiência para o RoadTrio.

Burning Man

(Foto: Dre Guazzelli)

Dre Guazzelli, colaborador do RoadTrio

O Burning Man vai muito além de um festival. Ele é uma experiência. Ele é uma cidade. Ele é uma comunidade feita de várias pessoas, com vários gostos, com vários talentos, costumes, crenças, diferenças e semelhanças.

A cidade do Burning Man é baseada em 10 princípios básicos que ajudam as pessoas a ter mais consciência de seus atos e pensamentos, e de como é importante cada um fazer a sua parte. O ser humano em união, comunhão e equilíbrio faz muito mais. O local serve de exemplo prático para sabermos que é possível viver em harmonia. No fundo, todos têm um dom e que cada um pode ajudar de alguma forma. Quanto mais eu penso e escrevo aqui, mais eu lembro de como as situações que passamos fizeram nos conhecer mais, de dentro para fora.

Burning Man

(Foto: Dre Guazzelli)

A viagem do autoconhecimento é a que faz a diferença, pois nos trás mais consciência de que na verdade não precisaríamos – e não precisamos – vestir tantas máscaras para viver e ter a aceitação disso ou daquilo.

| Chegando lá

Chegar lá saindo do Brasil não é tão fácil, o que deixa tudo mais interessante. As cidades mais próximas para fazer ‘conexão’ indo de voos internacionais são Las Vegas e algumas cidades da Califórnia. Depois disso, ideal é achar uma casa móvel (que eles chamam de RV – Recreation Vehicle, vulgo motorhome) em alguma dessas cidades para então chegar no Black Rock Desert dirigindo. Nós pegamos a nossa em Phoenix e fizemos 12 horas de viagem, com uma parada em São Francisco.

Burning Man

(Foto: Dre Guazzelli)

É preciso ter planejamento porque nessa época os preços e a procura por RVs são altíssimos. A viagem é longa e uma aventura. Existem vários pontos que podem ser conhecidos quando você se aventura em uma viagem de motorhome.

Partindo de uma dessas cidades, é preciso ir rumo a Reno, uma cidade tipo Las Vegas com cassinos, lojas temáticas à lá Burning Man. Lá você pode parar e comprar algumas coisas, mas não é tão barato.

| Como se locomover

Um vez no local do festival, o principal meio de locomoção é a bicicleta. Ou leva do Brasil e arca com as consequências financeiras, ou compra uma lá (quanto mais próximo de Reno e próximo ao início do Burning Man você estiver, menor as chances de você conseguir uma bike barata no Walmart, por exemplo).

(Foto: Dre Guazzelli)

Também existem os art cars, porém eles são projetos artísticos e a liberação para trazer um desses ao festival requer bastante tempo, planejamento, custos e muita mão de obra mecânica – levando em consideração que o local é um deserto. Então a maioria vai de bike mesmo. Carros e motorhomes têm velocidade restrita a cerca de 10km/h e a chance de você tomar multa é altíssima.

| Como se alimentar

Por falar em Walmart, me vem à cabeça o quesito alimentação. Dependendo de quantas pessoas tem o grupo de viagem, a ‘parada’ no mercado pode demorar muito por conta da infinidade de produtos. Por isso, é necessário levar uma lista enxuta (assunto para o próximo post) e focar na quantidade de água que será necessário durante a ‘estadia’ por lá.

(Foto: Dre Guazzelli)

Existem campings que fornecem refeições junto ao pacote de estadia por um preço mais elevado. O que fizemos foi aproveitar nossa cozinha da casa móvel e preparar macarrão, risoto, brócolis, café da manhã completo e tudo o que você pode imaginar. É legal levar bastante grãos, frutas, sementes e, claro, muita água. Gatorade também é bom – principalmente se a noitada anterior envolveu álcool (risos). O cálculo base de quantidade de água é: 1,5 galões de água por pessoa, por dia.

| Onde se hospedar

Imagina uma cidade com bairros. Agora pensa no Burning Man com vários “campings”, que seriam os bairros dessa cidade. Com tamanhos pré definidos e ruas nomeadas, cada camping entrega algo para a comunidade, desde algum serviço de yoga, até workshops variados e bike repairs. Os campings que permitem som alto, oferecem pistas para até 10 mil pessoas, por exemplo.

(Foto: Dre Guazzelli)

Cada camping tem suas obrigações quanto a ordem, lixo, limpeza, água, excessos, exageros e afins. Tudo é muito bem organizado e fiscalizado. Nada pode estar fora do lugar, principalmente quando se fala em água e lixo (lixo no chão é chamado de ‘moop’).

Um dos princípios do Burning Man é o ‘leave no trace’: você não pode deixar rastros. Qualquer tipo de rastro, seja um pedaço de metal, madeira, bituca ou qualquer coisa que você deixe para trás, não é bem-vinda. O deserto onde tudo acontece precisa e deve permanecer do mesmo jeito de quando o encontramos, ou seja, só com pó e amor.

(Foto: Dre Guazzelli)

| Condições climáticas

Como qualquer deserto, as condições climáticas são bem severas. Em alguns momentos, acontecem tempestades de areia e temperaturas vão ao extremo. Quando a tempestade começa, não dá para enxergar absolutamente nada. Por isso, óculos de sol e bandana no rosto para não respirar poeira são itens indispensáveis.

(Foto: Dre Guazzelli)

É preciso estar preparado para as mudanças na temperatura, já que a noite é muito frio e durante o dia chega a fazer mais de 40ºC. Eu acho que vim do deserto. Lá eu me dou muito bem. Sol de dia, frio de noite!

| Nada se compra, nada se vende

Dinheiro lá não é muito usado. Esse é o espírito do festival. O único lugar que ele pode ser utilizado é no Center Camp, onde são vendidas bebidas como café, drinques e energéticos naturais. Nesse mesmo local, as pessoas se encontram, se apresentam em palcos recitando poemas, canções, textos e também praticando acro yoga!

(Foto: Dre Guazzelli)

De resto, tudo é feito na base da troca. Cada um vai com uma ideia diferente pensando nas outras pessoas que estarão lá. A criatividade rola solta, mas sempre tem aqueles que pensam em levar comida e bebida.

| Sentido do Burning Man

O grande diferencial desse evento é que todos os seres ali presentes estão abertos ao amor, inspirados na essência do ser, na facilidade de conhecer pessoas, de fazer amigos e aproveitando uma liberdade sem perder a responsabilidade.

(Foto: Dre Guazzelli)

Tocar lá, assim como cada lugar do mundo que passo, tem uma energia especial. O diferencial é que alcanço uma conexão muito forte comigo mesmo. O agradecimento de dentro para fora por ter chegado até lá é gigante. Também é gratificante ter força e energia o bastante para fazer tudo que eu tenho feito, sempre no alinhamento entre mente, coração, emoção e ação.

(Foto: Dre Guazzelli)

Toquei por 7 horas seguidas, até o nascer do sol. Tinha aproximadamente 500 pessoas na pista e, como o tempo foi bem extenso, constantemente chegavam novas pessoas enquanto outras saiam para descansar. De qualquer forma, vários maratonistas ficaram por lá. Não importa muito o tamanho de uma pista, mas sim a intensidade que você consegue tocar o coração de cada um.

Tem muita, mas muita foto linda na galeria abaixo. Enjoy!

dre

Sobre o autor

Somos três amigos que compartilham o sonho de conhecer os quatro cantos do mundo. Da vontade de explorar diferentes lugares e da busca constante por novas experiências, surgiu o RoadTrio: um site que reúne informações, dicas e notícias do que não se pode perder por aí e é essencial para qualquer viajante.

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