O Brasil é cheio de lugares paradisíacos que muita gente nem imagina que existe. Maracajaú, no Rio Grande do Norte, é um exemplo disso. Localizada a 60 km de Natal, a região faz jus ao apelido de “caribe brasileira”.

Passamos uma temporada em Natal, como vocês acompanharam pelo Instagram do RoadTrio, e fomos até Maracajaú a convite da Maracajaú Diver.

A praia de Maracajaú fica no município de Maxaranguape, e uma de suas peculiaridades é a extensa área de corais, conhecida localmente como parrachos. Esses recifes de corais ficam a 7 km da costa e abrigam centenas de espécies de fauna e flora oceânica, com águas mornas o ano todo e profundidades que variam entre 2 e 4 metros, o que torna o lugar ideal para a pratica de mergulho recreativo.

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A Maracajaú Diver tem uma base perto dos parrachos de Maracajaú (Foto: Cortesia Fluir Imagens)

Recentemente, essa área de 13km2 de corais foi oficializada foi legalizada como uma APA (Área de Proteção Ambiental) e o acesso foi delimitado a um número de visitantes diários ao local. Para controlar e não degradar o ambiente, apenas três empresas têm liberdade de operar na área e cada uma delas deve respeitar o limite de 220 turistas por dia.  A comunidade local, que inclui pescadores nativos, também têm parte da cota.

| Maracajaú

A Maracajaú Diver foi a empresa pioneira a iniciar as atividades em Maracajaú. “O pessoal de Natal não falava nessa praia. Como eu gostava de fazer pesca submarina, comecei a procurar por praias mais escondidas. Na época eu tinha uma pequena lancha e nos finais de semana levava amigos para fazermos pesca. Todos ficavam boquiabertos e foi então que percebi que tinha um verdadeiro tesouro ao meu alcance”, explicou o empresário César Sales. “Enxerguei uma possibilidade de explorar comercialmente a área. Acabei criando um destino turístico e em 1994 começaram as atividades da empresa”, detalhou.

A praia de Maracajaú está a localizada a 60 km no litoral norte de Natal, no município de Maxaranguape (Foto: RoadTrio)

Naquela época, há mais de 20 anos, não existia infra-estrutura na região, as estradas de acesso até o local de embarque não eram asfaltadas e a maioria das pessoas chegava lá de buggy. “Às vezes, no começo, tínhamos problemas porque estava um dia maravilhoso e os turistas não chegavam. Quando chegavam, ficavam na dúvida: ‘será que eu vou?’. Eu falava que podiam ir e, se não gostassem, não precisavam pagar nada”, brincou. Dava certo e, pode ter certeza, todos voltavam amando.

Atualmente eles recebem até 2 mil turistas por mês, dependendo da temporada, e trabalham em parceria com o maior parque aquático da região, o Ma-Noa Prime.

Em meio a dunas de areia branca e com uma área de mais de 65.000 metros quadrados, o parque, verdadeiro oásis verdejante, está situado em uma belíssima enseada com praia quase que exclusiva, compondo com o mar de águas mornas e claras um cenário paradisíaco. Ainda no parque é possível explorar as dunas e lagoas da região em quadriciclos alugados, fazer um passeio de buggy com guia ou, se você é daqueles que preferem o contato com a natureza, ainda há a opção de alugar cavalos e passear pela praia no fim de tarde.

| O passeio

Saímos do hotel bem cedinho, por volta das 8h da manhã. Fomos de van até o local, com a Natal Vans e seguimos direto para o Ma-Noa Prime, que fica a 1h de Natal, no litoral norte. O local funciona como uma base com restaurante, banheiros, ducha e um lugar bem gostoso para tomar sol. Lá fomos recebidos pelo casal Cesar Sales e Erika Lais que nos apresentou o local e forneceu as informações sobre o passeio. Aguardamos alguns minutos para embarcar em uma das lanchas da Maracajaú Diver.

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O embarque é feito em lanchas a partir do parque até uma plataforma flutuante, que fica em uma localização privilegiada na área dos parrachos (Foto: RoadTrio)

O embarque é feito em lanchas a partir do parque até uma plataforma flutuante, que fica em uma localização privilegiada na área dos parrachos. O trajeto de lancha até a plataforma flutuante dura de 12 a 15 minutos, menos da metade do tempo que levaria em outro tipo de embarcação, o que aumenta o tempo de permanência nos parrachos.  O caminho é divertidíssimo e, claro, muito seguro. Na plataforma as lanchas ficam à disposição dos turistas, que podem retornar à praia no momento que quiserem, o que particularmente achamos impossível de alguém querer fazer antes do tempo previsto.

“A operação inicia duas horas antes do pico da maré baixa e termina duas horas depois, ou seja, tem a duração de até quatro horas”, explicou Erika, portanto é imprescindível que na hora de programar a sua visita aos parrachos, consultem os dias e horários de embarque disponíveis no site da empresa. Os visitantes podem escolher a hora de voltar durante esse período de quatro horas. “Quem embarcar no primeiro horário e quiser ficar lá até o final do tempo limite pode ficar. Se por qualquer razão o cliente desejar adiantar o seu retorno, poderá voltar para a praia a qualquer momento, pois durante todo o tempo de operação as quatro lanchas estarão partindo e retornando”, ressaltou Erika, sendo essa uma das grandes vantagens de trabalhar com lanchas, além da exclusividade e rapidez do traslado. Vale destacar que a plataforma fica totalmente imóvel, ideal para aqueles que podem apresntar algum desconforto com o balanço do mar.

Chegando na plataforma flutuante, guardamos nossos pertences e fomos recebidos pela tripulação e com bar e até wifi – dá pra dar aquela postada nas redes sociais em tempo real!

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Depois da experiência com o cilindro, foi a vez do snorkel. O mergulho é tão impressionante quanto (Foto: RoadTrio)

A vista, nem precisamos falar, é de tirar o fôlego. Depois que todos estão devidamente instalados e familiarizados com a plataforma, a equipe de mergulhadores e instrutores passa todas as informações para que o mergulho seja uma experiência inesquecível e 100% segura. No “treinamento” eles explicam desde a área delimitada para o mergulho até técnicas de respiração e cuidados com a vida marinha local. Tudo isso para que haja o devido equilíbrio entre diversão, segurança e proteção do meio ambiente, preocupações muito presentes desde o inicio do trajeto.

Existem duas opções de mergulho: snorkel (com flutuador para aqueles que não se sentirem seguros) e mergulho com cilindro ou também chamado de batismo, no caso dos iniciantes. O mergulho com cilindro foi uma experiência memorável. O instrutor nos acompanhou desde a adaptação até a exploração dos corais, mostrando cada cantinho e cada animal que dava o ar da graça. Nosso mergulho com o cilindro durou cerca de meia hora. Vimos polvo, moreia, muitos tipos de peixes, os corais que são um espetáculo à parte e embarcações naufragadas. No dia de nossa visita a profundidade era de no máximo 4 metros, ideal para quem está começando a explorar o mundo submerso.

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A equipe de mergulhadores e instrutores passa todas as informações para que o mergulho seja uma experiência inesquecível e 100% segura (Foto: Maracajaú Diver)

Depois do cilindro, foi a vez do snorkel. A experiência é tão incrível quanto. Os peixes passam tão pertinho de você que chegam a bater nos óculos e no seu corpo. Toda essa incrível experiência pode ser registrada pela equipe de fotógrafos que trabalha em parceira com a Maracajaú Diver, a Fluir Imagens, e no final do passeio você pode escolher as fotos que gostou e levar toda essa emoção para casa dentro de um CD.

Aqueles que não querem mergulhar e preferem fugir do sol, não podem perder o passeio. O deck inferior da plataforma tem uma área coberta com serviço de bar, com deliciosos petiscos e drinks como o Hula-Hula, coquetel de abacaxi com ou sem álcool servido dentro da própria fruta. No deck superior, podem aproveitar o sol e apreciar a bela vista que nem precisamos falar, é incrível. A plataforma de 200 metros quadrados foi toda projetada e executada por Cesar Sales e é super moderna. Tem som ambiente e gerador de energia eólico.

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Vimos polvo, moreia, muitos tipos de peixes, os corais, que são um espetáculo a parte e embarcações naufragadas (Foto: Maracajaú Diver)

Ficamos na água durante as duas horas inteiras em que a maré permitiu (o horário de passeio varia de acordo com a tábua de marés). No grupo que estava com a gente, tinha desde adolescentes até senhores de idade, famílias, casais, brasileiros e gringos.

 

Na volta, mais uns minutinhos de diversão na lancha e lembranças inesquecíveis com gostinho de quero mais. Chegando no Ma-Noa, tomamos uma bela ducha de água doce e o casal Cesar e Erika nos convidaram para saborearmos um delicioso peixe Meca grelhado, prato típico da culinária regional.

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Ficamos na água durante as duas horas inteiras em que a maré permitiu (Foto: RoadTrio)

| Serviço

Quando ir?

O ano todo faz calor. A melhor época para ir é no nos meses de verão, outono e primavera, pois no inverno os ventos são mais fortes o que prejudica um pouco a visibilidade, apesar das águas continuarem mornas.

Na alta temporada (Dez/Jan/Fev/Julho e feriados) ideal é fazer reserva antecipada (por e-mail ou tel), já que existe a limitação de visitação diária

Veja os horários no site oficial da Maracajaú Diver.

Quanto custa?
Lancha + snorkel: R$ 85
Mergulho com cilindro: R$ 100 (além dos R$ 85)
Fotos feitas pelo fotógrafo da Maracajaú Diver: R$ 10 a primeira, R$ 5 da segunda em diante, além de aluguel de câmeras GoPro.

Qual idade?
Acima de 6 anos

Transporte até o local (fizemos pela Natal Vans)
Os pacotes variam de acordo com o roteiro. Veja os valores no site oficial da Natal Vans.

Veja na galeria abaixo mais fotos do mergulho em Maracajaú:

Sobre o autor

Somos três amigos que compartilham o sonho de conhecer os quatro cantos do mundo. Da vontade de explorar diferentes lugares e da busca constante por novas experiências, surgiu o RoadTrio: um site que reúne informações, dicas e notícias do que não se pode perder por aí e é essencial para qualquer viajante.

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