Depois de uma manhã toda contemplando as Lagunas Altiplânicas, estávamos ansiosos para mergulharmos em alguma dessas lagoas no deserto mais árido do mundo. Às 16h, a Grado 10, empresa que nos convidou para fazer o passeio, nos levou para finalmente matarmos essa vontade. Como o caminhão deles estava indo para o conserto, fizemos o tour daquela tarde em um carro 4×4. Com a gente, só nosso guia, JJ, e um casal de brasileiros. Quase um passeio particular.

A primeira parada foi na tão esperada Laguna Cejar. Logo ao entrar no parque dá para avistar a lagoa de cor azulada e margens brancas, devido à concentração de sal. Porém, ao contrário do que muitos imaginam, não é possível mergulhar, nem se quer chegar perto dela. Mas tudo bem. Bem ao lado estão a Laguna Maior e Menor. É lá que os turistas se divertem. As águas dessas outras lagoas são marcadas pela cor verde e pela enorme quantidade de sal, o que faz com que afundar o corpo seja quase impossível. Afinal, quem precisa ir até o Mar Morto, em Israel, quando se está no Deserto do Atacama?

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A enorme quantidade de sal faz com que afundar o corpo seja quase impossível (Foto: RoadTrio)

As margens são de sal cristalizado e ligeiramente pontiagudos, por isso é importante levar um par de chinelos para não machucar os pés, além, claro, do traje de banho.

Para a nossa sorte o dia estava quente, pois a água é congelante. Tanto que alguns turistas preferem ficar apenas do lado de fora observando o vulcão Licancabur, que é pano de fundo e deixa o local ainda mais maravilhoso. Mas não se desanime com a temperatura: a experiência de boiar sem o menor esforço é divertida e super diferente.

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Vulcão Licancabur ao fundo (Foto: RoadTrio)

Hoje em dia, não é preciso levar galões de água para lavar o corpo depois que sair da lagoa. O parque tem chuveiros, banheiros e vestiários. Para usufruir de tudo, é preciso pagar (e bem carinho).


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De lá, partimos para os Ojos del Salar, duas crateras enormes de água doce e muito gelada. Há quem diga que os buracos se formaram por conta de meteoros que caíram por ali, outros afirmam que o responsável foi a erosão das águas do rio subterrâneo que corre no local.

Diferentemente das outras lagoas, a concentração de sal nos Ojos é pequena e não te fará flutuar. Além disso, a profundidade desses lagos é desconhecida (estima-se que passe dos 20 metros). Por isso é fundamental que você saiba nadar.

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A profundidade dos Ojos del Salar ainda é desconhecida (Foto: RoadTrio)

É permitido mergulhar em apenas um deles, pois o outro buraco não tem saída. Aliás, se você já tiver se molhado na Lagoa Menor, nem pense em uma desculpa para não saltar nos Ojos.

Para fechar o passeio, tínhamos a opção de visitar a Laguna Tebinquiche. Além de ter que pagar novamente uma entrada, o nosso guia disse que o lugar não é tão bonito como antigamente, não é permitida a aproximação e já não se tem muita água. Dica dada, dica aceita. Seguimos, então, para ver o pôr do sol debaixo da única árvore que tem na região.

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Para curtir o pôr do sol, Grado 10 oferece alguns petiscos e um brinde com pisco sour (Foto: RoadTrio)

Ali, a Grado 10 oferece alguns petiscos deliciosos e um brinde com pisco sour (bebida típica chilena). O passeio iria até às 20h, mas engatamos em um papo tão gostoso com o JJ e outro casal que só fomos embora quando tudo estava escuro e o relógio já passava das 21h. Nesse ponto, viajar com a Grado 10 fez toda a diferença. Antes mesmo de escurecer, as outras agências já tinham ido embora.

Confira mais algumas fotos

 

Informações

Valores: $ 20.000 + $ 15.000 pesos chilenos (entrada do parque).

Horário: 16h às 20h.

O que levar: roupa de banho, chinelo, toalha e agasalho, pois você ficará até o final da tarde.

 

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

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