Antes de embarcarmos para o Deserto do Atacama, a dica que mais ouvimos foi: deixe para visitar os Geysers del Tatio nos últimos dias. Isso porque sairíamos de San Pedro do Atacama a 2.400 metros acima do nível do mar, para chegar a 4.300 no campo geotérmico, um dos passeios mais altos de todo o deserto. Muitas pessoas passam mal por conta dessa diferença. É o chamado Mal da Altitude: dor de cabeça, enjoo, tontura, indisposição entre outros sintomas.

Mas nós não tivemos muita escolha. A Grado 10, agência que nos convidou para o passeio, iria levar seu caminhão para manutenção nos próximos dias e só nos restou encarar o tour logo de cara, menos de 24 horas depois de ter chegado em San Pedro. Ficamos com um pouco de receio, pois ainda não tínhamos nos habituado com o ambiente, mas arriscamos mesmo assim.


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O passeio começa muito, mas muito cedo mesmo. Às 4h30 da manhã a Grado 10 passou em nosso hotel para nos levar à nossa primeira aventura pelo deserto chileno. Essa, sem dúvida, foi a parte mais difícil do tour: dormir menos de 4 horas. Ainda sem ter acordado totalmente, começamos a nos trocar. Usamos a estratégia de nos vestir como uma cebola, ou seja, em camadas. Roupas mais leves por baixo, depois os agasalhos quentes e a blusa corta vento. Como em todo deserto, a temperatura despenca na madrugada e sobe bastante durante o dia. No caso do Atacama, os termômetros chegam a marcar -15ºC nas noites mais frias.


Com todos os passageiros a bordo do caminhão da Grado 10, nosso simpático guia, Diego, explicou como seria o passeio e forneceu cobertas para ficarmos no carro. A principal instrução dele foi que deveríamos respirar profundamente e tomar pequenos goles de água durante o trajeto. Assim, segundo ele, os efeitos da altitude seriam minimizados. Depois de algumas breves explicações, o silêncio reinou dentro do veículo. Como a primeira parada seria perto das 6h da manhã, e ainda era noite (ou seja, sem luz para observar a paisagem), todos capotaram.

Para falar bem a verdade, não sentimos absolutamente nada em relação à altitude. O próprio guia do tour ficou surpreso. Claro, isso depende muito de cada um. Vimos outras pessoas passaram super mal durante o passeio, mesmo convivendo com a altitude há alguns dias.

| Enfim, nos Geysers del Tatio

Chegamos, ainda era noite, mas o frio não era tão insuportável: 0º C. Uma dica importante: logo na entrada do parque tem banheiros. Vá, mesmo que a vontade não seja grande, pois ele é o único banheiro pelas próximas 4 horas.

Descemos do caminhão da Grado 10 e caminhamos entre os gêiseres. São mais de 80, alguns com pequena quantidade de vapor e jato d’água, outros mais fortes. Ele são formados devido ao aquecimento da água dos rios subterrâneos. Naquela região, a aproximadamente 200 metros de profundidade, a água ferve, evapora e procura uma saída para aliviar a pressão. Os jatos marcam o contraste entre a temperatura da água (cerca de 80ºC) e a temperatura ambiente (normalmente negativo).

Geisers del Tatio

Campo geotérmico de Geysers del Tatio (Foto: RoadTrio)

Por isso é importante acordar tão cedo. À tarde, quando a temperatura já não é tão baixa, esse fenômeno fica menos visível. Foi o que aconteceu com a gente. Não porque chegamos tarde, mas porque o termômetro naquele dia não passou dos 0ºC. Não vimos nada surreal como nas fotos que encontramos na internet. Mesmo assim, foi o suficiente para ficarmos impressionados. Afinal, essa é a terceira maior cadeia do mundo e reúne cerca de 8% de todos os gêiseres que existem na terra.

| Hora de se aquecer

Depois de observar algumas erupções, fomos até uma piscina natural de águas termais não muito longe de onde paramos o caminhão. Mesmo com o frio, é difícil resistir e não se jogar naquela água quentinha de mais ou menos 36º C. Ao lado da piscina tem algumas cabines para você se trocar. Sim, a água é quente. Mas não estava o bastante para evitar que passássemos um pouco de frio.

Geysers del Tatio - piscina

Piscina de águas termais (Foto: RoadTrio)

Decidimos sair da piscina depois de uns 15 minutos, até porque a temperatura quente da água faz com que pressão caia e ainda estávamos com receio de passarmos mal por conta da altitude. Sem falar que a Grado 10 estava preparando um maravilhoso café da manhã para a gente. Pães, panquecas, doce de leite, suco, leite, frutas e tudo o mais que tínhamos direito. Como se não bastasse o banquete, a vista era impressionante.

Geysers del Tatio - café da manhã

Café da manhã da Grado 10 (Foto: RoadTrio)

Achávamos que o passeio acabaria ali. Por volta das 10h subimos no caminhão e fomos informados que ainda teríamos algumas paradas. Fizemos uma visita ao vilarejo de Machuca, com suas casas de adobe, telhados de palha dourada e uma pequena, mas simpática, igreja no alto de uma colina. Quem quiser provar, lá se vende churrasquinho de carne de lhama. Só não experimentamos porque a iguaria acabou em poucos minutos.

Povoado Machuca

Vilarejo de Machuca (Foto: RoadTrio)

E na parada final, passamos pela região de cactos, em Guatin, onde Diego nos contou histórias superinteressantes. Daqui voltamos para San Pedro de Atacama.

Confira mais algumas fotos

Informações

Valor: o tour custa $ 35.000 pesos chilenos/pessoa e inclui o café da manhã. É preciso pagar $ 5.000 pesos de entrada do parque (Estudante $ 2.000).

Horário: das 4h30 às 13h. Pode variar de acordo com a época do ano.

O que levar: vá muito agasalhado e, se quiser entrar na piscina, leve roupa de banho e toalha. Não se esqueça de uma garrafa de água.

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

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