Nos últimos anos, a Irlanda foi invadida por intercambistas, sobretudo por estudantes brasileiros. Aperfeiçoar o inglês é apenas uma desculpa para alguns. O verdadeiro objetivo de grande parte desses estrangeiros é mais ou menos o mesmo: trabalhar e gastar o dinheiro com viagens e cerveja.

Com a procura de estudantes não europeus por cursos apenas para conseguir o visto e permanecer no país, surgiram muitas escolas. Para garantir a qualidade de ensino e evitar fraudes, principalmente das instituições que se aproveitavam dessa situação, o governo irlandês fez alterações nas leis educacionais e no visto concedido aos estudantes.

As novas regras de imigração começaram a ser implementadas ainda em 2014, após escândalos envolvendo escolas de idiomas acusadas pelo Departamento de Justiça de serem “fábricas de visto”. O interessado comprava um curso de inglês, recebia autorização para morar e trabalhar no país, mas não comparecia às aulas.

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Ha’penny Bridge é a ponte mais famosa de Dublin, capital da Irlanda (Foto: RoadTrio)

Porém, desde o início deste ano (2015), as regras começaram a ficar mais restritas e, agora no segundo semestre, uma mudança irá afetar diretamente os estudantes. Se estiver se programando para passar uma temporada fora, veja abaixo o que será diferente daqui em diante.

| Validade do visto


Essa é uma das principais mudanças apresentadas na reforma e afetará diretamente os estudantes matriculados em cursos de idiomas. Os vistos concedidos a partir de 1º de outubro de 2015 darão direito de o estudante ficar no país apenas 8 meses, e não mais os 12 meses permitidos até então, aos alunos matriculados em curso de inglês, com duração igual ou superior a 25 semanas.

Para se beneficiar da lei antiga e ficar um ano na Irlanda, o estudante deve viajar até agosto e dar entrada no processo de visto assim que chegar ao país. Na realidade, com a demora no processo para sair a permissão final, o ideal é que o embarque seja feito até meados de julho.

Com essa alteração, a maior dúvida é se realmente vale a pena investir em um intercâmbio na Irlanda, uma vez que, segundo especialistas, intercambistas com nível básico de inglês devem estudar de 9 a 12 meses para alcançar um nível razoável no idioma. Ou seja, você terá que se dedicar muito nesse curto período.

Porém, tem o lado bom. Os estudantes poderão renovar o visto por até duas vezes, o que lhes garantirá a permanência no país no total de dois anos. Essa regra é valida para curso de idioma. Se você quiser fazer um curso de nível superior, serão permitidos mais alguns anos, de acordo com a duração do curso, mas nunca passando de uma estadia total de mais de 7 anos.

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A maior dúvida é se ainda valerá a pena fazer curso de inglês na Irlanda (Foto: RoadTrio)

| Saiba escolher a escola

Com tantas fraudes ocorrendo no país, diversas escolas foram fechadas e outras tantas foram colocadas na parede. Agora precisarão provar que realmente são boas e atendem alguns requisitos exigidos pelo governo para continuar funcionando e poder conceder o visto a seus estudantes.

As escolas deverão integrar a ILEP (Interim List of Elegible Programmes). Um dos requisitos para as instituições entrarem nessa lista é o selo de creditação Acels, que comprova a qualidade de ensino de acordo com regras e exigências do governo irlandês. Além disso, as escolas deverão fornecer declarações claras sobre quem é seu proprietário, diretor e administrador.

Dentro da questão dessa escolha, as instituições de ensino terão que possuir um programa de Learner Protection, uma espécie de seguro para os alunos caso ela feche. Nessa situação, o estudante será realocado para outra escola sem custos ou será reembolsado. Esta proteção deve constar detalhadamente em contrato.

Ou seja, fique atento. Caso a escola não atenda essas exigências, você não conseguirá o visto nem mesmo por 8 meses.

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A beleza e simplicidade de Dublin encantam qualquer turista, principalmente aqueles que querem um lugar calmo para morar (Foto: RoadTrio)

| Carga horária de trabalho

Apesar de o objetivo ser aperfeiçoar o inglês, a maioria dos estudantes conta com a oportunidade de trabalhar para conseguir pagar os gastos mensais e, claro, viajar. Desde janeiro ocorreu a mudança mais temida pelos estudantes, mas que continuará sem outras alterações esse ano.

Os alunos podem trabalhar 20 horas semanais durante o curso (os primeiros 6 meses de aula), e 40 horas nos 2 meses restantes. Porém, este período integral só é permitido entre os meses de maio a agosto e 15 de dezembro a 15 de janeiro.

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A vida noturna na região do Temple Bar, em Dublin, é muito agitada devido aos seus pubs e músicas (Foto: RoadTrio)

 

Bom, quem realmente tem o objetivo de estudar, as regras não devem atrapalhar. Se planeje e não deixe de fazer intercâmbio por conta dessas mudanças.

Para saber mais, confira a nota oficial do governo (em inglês) aqui.

Sobre o autor

Em 2011, a jornalista morou na Europa, onde foi travel-writer para o Guia Criativo para O Viajante Independente na Europa. De volta ao Brasil, não quer se limitar às paredes de um escritório e fez do seu hobby uma nova profissão.

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