Texto escrito novamente pela leitora Lígia Ruy. Ela já nos contou um pouco sobre Melbourne.

Curioso o fato de que poucas são as pessoas que vem para a Austrália com a intenção de visitar a Tasmânia, ilha e estado do país. Uma vez que estão por aqui, as passagens, que vira e mexe entram em promoção, levam estes turistas desinformados para um dos lugares mais encantadores e selvagens do mundo. Comigo não foi diferente. Eu mal sabia o que esperar da ilha mais ao Sul da Austrália, tudo o que já havia ouvido falar sobre lá se resumia no Taz-Mania, personagem do desenho animado da Warner inspirado no demônio da tasmânia – animal típico da região.

Minha viagem começou e terminou em Hobart, a maior cidade do estado, já que o aeroporto fica por lá. Cheguei junto ao frio do inverno, exatamente quando as paisagens começam a mudar. Aluguei um motorhome e durante dez dias me deliciei com tudo que a ilha tem para oferecer.

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Uma boa opção para quem for à Tasmânia, é alugar um motorhome (Foto: Lígia Ruy)


Aliás, a Tasmânia é muito bem preparada para receber visitantes que viajam de motorhome. Apesar de ser proibido estacionar e dormir na rua, existem diversos estacionamentos gratuitos para passar a noite. Há também diversos estacionamentos pagos que garantem muito mais conforto, pois pode-se utilizar a energia elétrica para ligar os aquecedores durante à noite, tomar um banho mais gostoso e usar o banheiro com mais privacidade. Na maior parte dos dias, dormi em campings gratuitos e recomendo a experiência. Eles normalmente são escondidos, mas não tive nenhum problema relacionado à segurança, além de economizar uma grana.

| A aventura começou

Minha primeira parada foi em Port Arthur, uma prisão desativada com arquitetura incrível. Para aumentar a adrenalina do passeio, optei pelo Ghost Tour (Passeio Fantasma, em tradução livre), um tour feito à noite e com um guia contando histórias – verdadeiras ou não – sobre coisas terríveis e paranormais que já ocorreram por lá. Esta opção que escolhi não acessa toda a área de Port Arthur por ser durante a noite e alguns dos prédios terem difícil acesso, mas garante visuais incríveis, muita adrenalina e histórias para contar.

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Visitar a Port Arthur durante à noite pode ser assustador, mas valeu a experiência (Foto: Lígia Ruy)

No dia seguinte, o passeio escolhido foi a trilha para o Cape Raoul. Como marinheira de primeira viagem em trilhas longas, confesso que estava com medo do que me esperava. Porém, todos os parques da Tasmânia têm informações logo na entrada, com tempo de caminhada, nível de dificuldade e um caderno para assinar entrada e saída, o que me tranquilizou bastante. As trilhas também são marcadas com fitinhas e setas para facilitar o caminho. Vale ressaltar que os dias na Tasmânia são mais curtos: amanhece cerca de 7h30 da manhã e escurece por volta das 16h30. Por isso, não adianta planejar muitas coisas para fazer no mesmo dia porque não dá tempo.

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A trilha para o Cape Raoul não é tão difícil como parece, até para os marinheiros de primeira viagem (Foto: Lígia Ruy)

Comecei a trilha de cerca de cinco horas (ida e volta) na parte da tarde, já sabendo que voltaríamos no escuro. Eu estava com amigos experientes que sabiam fazer trilhas e foram preparados (por sorte minha) e então não tivemos grandes dificuldades. Caminhar no meio da mata dá uma sensação de paz e um deslumbramento ao ver o quanto a natureza é perfeita. A felicidade de chegar ao topo de uma montanha é indescritível, a paisagem era maravilhosa. Foi para mim um daqueles momentos em que não se pensa em mais nada, só se vive, se é. Na volta, à noite, eu conheci o céu mais lindo que meus olhos já puderam ver. Era tão limpo que vimos a Via Láctea nos dizendo boa noite. No fim do tour, ouvimos moradores locais procurando por nós, já que estava bem tarde e ainda estávamos na trilha.

| O melhor da viagem

Seguindo viagem, nossa próxima parada foi a trilha para Wineglass Bay, a paisagem mais linda que vi na ilha. O que eu não sabia (e ainda bem, senão jamais teria ido) é que eu teria que, literalmente, escalar pedras! Claro que era uma escalada relativamente tranquila, não precisava de equipamentos especiais ou de guias, mas para mim é como se estivesse escalando o Monte Everest. São mais ou menos três horas e meia de escalada (ida e volta) e ali sim, me senti a aventura em pessoa.

 

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Apesar da dificuldade para chegar até o topo, ver do alto a Wineglass Bay foi o auge da viagem (Foto: Lígia Ruy)

Foi difícil, não vou mentir, mas consegui! A praia em formato de cálice de vinho (daí o nome, wineglass, em inglês) tem águas azuis cristalinas e uma vida selvagem ativa. Vimos muitos golfinhos por lá.

Aliás, a Tasmânia é um estado bem selvagem. Durante nossas viagens noturnas de motorhome, víamos milhares de cangurus, wombats, eastern quolls, possums e conseguimos ver até o demônio da tasmânia, que dizem ser tão difícil de ver em seu habitat natural. Todos esses nomes estranhos de bichos valem uma busca na internet porque são animais fofíssimos típicos da Austrália. Só não consegui ver o ornitorrinco, nem mesmo no Lake Saint Clair, um dos lugares que visitamos que possui um lago conhecido por ser a “casa” destes bichinhos.

| Outros lugares que conhecemos

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Dove Lake (Foto: Lígia Ruy)

No Dove Lake vi sinais de neve pela primeira vez. A caminhada em volta do lago leva cerca de uma hora e meia e é muito tranquila. Queríamos fazer uma trilha para ver o lago de cima, mas o dia estava muito nublado e não conseguiríamos ver nada.

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Marakoopa Cave (Foto: Lígia Ruy)

O tour guiado pela Marakoopa Cave é incrível! Quando anoitece é possível ver as famosas glow worms no teto da caverna, dando a sensação de céu estrelado.

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(Foto: Lígia Ruy)

A trilha para a cachoeira no parque de Franklin-Gordon Wild Rivers é tranquila, além de linda. A cachoeira é gigante e passa uma energia maravilhosa.

| Um pouco de civilização

A cidade de Hobart ganhou um lugar no meu coração. Tem tudo o que uma cidade fofa deve ter: lugares bacanas para visitar, organização, limpeza, pessoas simpáticas, mistura de urbanização com áreas verdes. No caminho para a cidade paramos na Cadbury, uma fábrica de chocolate com espaço exclusivo para visitações e compras de produtos com desconto. Eu poderia morar lá, mas tinha a dura missão de seguir viagem.

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A visita ao Mona, museu de arte moderna, trouxe experiências interessantes (Foto: Lígia Ruy)

Ainda em Hobart visitamos o Mona, museu de arte moderna com muitas maluquices, sensações e sentimentos. Foi uma experiência muito bacana, mas é necessário entrar na ‘vibe’ da insanidade e curtir cada pedacinho das exposições, que são realmente surpreendentes. Uma das atividades mais bizarras que participei no museu foi uma em que vestíamos um avental branco, entrávamos numa sala escura, com iluminação somente para uma mesa enorme, com várias pessoas em volta (também participando da atividade) separando e contando arroz e lentilhas. O objetivo era estar o mais presente possível no momento em que se vive, com toda a atenção voltada para o agora. Funcionou, mas não deixou de ser assustador.

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Acreditem se quiser, mas isso é uma Poo Machine (máquina de coco). É um maquinário que imita nosso sistema digestivo e que produz coco. E sim, o espaço fedia (Foto: Lígia Ruy)

No mesmo dia, à noite, visitamos um festival que estava ocorrendo na cidade chamado Mofo. O evento tinha muitas atrações musicais locais acontecendo ao mesmo tempo, uma arquitetura de bambu inacreditável de tão linda, muitas barraquinhas de comidas de todos os cantos do mundo e uma energia deliciosa.

| Dicas de viagem

Para alugar um motorhome: verifique sempre se precisa deixar algum cheque calção e qual o valor, porque pode ser um valor bem alto. Confira se há cobertas quentes para aguentar o frio, aquecedores, se o chuveiro aquece e como e quando descarregar o tanque da privada. Alugamos um motorhome para seis pessoas, mas os menores podem não ter banheiro, a cozinha pode ser para o lado de fora e podem não ter aquecedor. Pergunte também sobre seguro para o carro, pode compensar.

Para fazer os passeios: em muitos locais o celular não funciona, menos ainda o 3G, mas vale a pena baixar o aplicativo 60 Great Short Walks, pois ele possui todas as atrações e parques da Tasmânia com informações precisas. Inclusive, a maioria dos parques têm uma placa com informações e o logo do aplicativo.

Roupas: é muito importante ter um sapato apropriado para as caminhadas e, preferencialmente, bem quentinhos, pois não há meia que esquente os pés do frio que faz. Roupas impermeáveis também são necessárias já que pode nevar e chover. Na mala só devem entrar roupas extremamente confortáveis e quentes.

Alimentação: alguns parques têm um centro de informações com uma lanchonete dentro, mas não conte com isso. O que fizemos foi ir ao supermercado assim que pegamos o motorhome e cozinhamos praticamente todos os dias. Economizamos dinheiro e garantimos a energia para as caminhadas. De qualquer forma, todas as cidades têm bons restaurantes, mas todo o comércio fecha cedo (comércio em geral às 17h e restaurantes por volta das 20h ou 21h), então não deixe de se programar. Ou procure hotéis, que geralmente oferecem refeições até mais tarde.

 

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Sobre o autor

Somos três amigos que compartilham o sonho de conhecer os quatro cantos do mundo. Da vontade de explorar diferentes lugares e da busca constante por novas experiências, surgiu o RoadTrio: um site que reúne informações, dicas e notícias do que não se pode perder por aí e é essencial para qualquer viajante.

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