Texto escrito pela leitora Juliana Aguilera


Eu estive no Japão por 15 dias, de 11 a 26 de julho, e pude experimentar – mais do que esperava – o verão deles. Primeiramente, antes de comentar sobre as delícias e surpresas nipônicas, gostaria de aconselhar que procurem viajar para lá na primavera ou outono, pois a folhagem rosa e vermelha das Sakuras acabam dando um boom no visual e tudo fica muito lindo. O inverno, bom, é aquele inverno típico de clima temperado. E costuma ter muito turista também, como no verão. No meu caso, o Japão estava quase a China, de tanto chinês que encontrei lá – principalmente em Kyoto.

Mas, voltando ao ponto principal: visitar o Japão requer várias pesquisas antes de embarcar (mesmo que você fique apenas uma semana por lá). Foi o que aconselhei minha mãe a fazer, já que ela tinha zero conhecimento de como é a vida na região. Muita coisa eu já sabia na teoria (assisto novelas, programas japoneses e conheço mais ou menos a estrutura social deles), mas vale lembrar de um fator: a distância entre Brasil e Japão é equivalente à diferença de pensar, agir e viver dos dois povos. Mesmo que visualmente não pareça, quando se analisa o comportamento de um japonês, você percebe quão diferente ele é de você. Eu mesma, que já conhecia muito dos costumes, procurei vídeos no Youtube, que aliás existem aos montes, para me aprofundar no dia a dia deles.

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Templo Senso Ji é o mais famoso e antigo de Tokyo. Lá você encontra diversos presentes típicos para trazer para casa (Foto: Juliana Aguilera)

Toda essa vontade de participar da cultura japonesa pode parecer exagero, porque, afinal, você está indo como turista. Ainda que eu tenha ficado “fora” das interações sociais como trabalho e familia, eu ainda convivi com eles nos metrôs, restaurantes e nas lojas. Existem inúmeras etiquetas, ou apenas costumes bobos, que são diferentes dos nossos, mas que tornam a viagem mais especial. Por exemplo: não se abre a porta de um taxi, nunca, no Japão. O motorista coordena a porta, então ele abre pra você, você senta, e ele fecha. Adivinha se na primeira vez que peguei um taxi não tentei abrir? Mas calma, eles são bem pacientes.

Isso foi muito gostoso no Japão. Eles são superprestativos e sempre que pedir informação, eles serão pacientes. Eles sabem que a língua local não é fácil para um estrangeiro. No primeiro dia passei uma vergonha gigante para interagir, mas depois me acostumei. Mesmo quando não sabia formar toda a frase, se eu dissesse as palavras principais, eles já me respondiam o que eu queria (“Com licença, o Buda Gigante fica pra cá? Ou pra lá?”).

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Uma dica para quem entende um pouco ou nada de japonês, confira as vitrines dos restaurantes, pois o cardápio fica exposto literalmente (Foto: Juliana Aguilera)

Em um aspecto geral, o Japão foi construído há décadas para funcionar coletivamente. As ruas serão sempre limpas, o metrô sempre funciona, a pessoa prestando serviço para você – seja no hotel, escola, restaurante ou loja – será o melhor atendente do mundo, e olha que maravilha: você pode sair de noite tranquilamente. Claro que existem poréns, mas, no geral, o Japão pensa e funciona 100% no coletivo. Como turista isso é um conforto muito bom e, me atrevo a dizer, eles são tão receptivos como os brasileiros.

Como fui a estudo, tive que controlar ao máximo meu horário para dar tempo de visitar alguns lugares – templos, principalmente, e algumas lojas de rua, fecham às 18h – e evitar os horários de pico do metrô – que não é muito diferente do nosso horário de pico na linha vermelha (para quem mora em São Paulo), amigos.

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Em Tokyo e Kyoto, você pode até mesmo achar um cardápio em inglês nos restaurantes (Foto: Juliana Aguilera)

Sobre dicas valiosas que ninguém me disse: cuidado com o lixo que você produz fora de casa porque não tem lixeiras na rua. Não tem. Não, sério, não tem. O máximo que você encontra são as lixeiras de latinha de refrigerante e de garrafa de plástico, juntos com as maravilhosas máquinas de bebidas que, essas sim, têm em todo lugar. Você se acostuma mal. Os japoneses não comem fora de casa, no máximo tomam chá, água ou suco. Quando perguntei a uma professora da escola que eu estava o porquê de não haver lixos na rua, ela me explicou que era uma prevenção a bombas.

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Em Tokyo, não deixe de conhecer Odaiba, que possui inúmeras atrações, como esse Gundam gigante (Foto: Juliana Aguilera)

| Por essa eu não esperava

Existem tantos, mas tantos lugares para se visitar em Tokyo, que eu aconselho você a procurar um guia. Infelizmente, se você buscar informações apenas sobre a cidade de Tokyo, encontrará nada além de um livro sobre o assunto. Fiquei horrorizada, mas sim, guia em versão brasileira, somente o Tokyo – Seu Guia Passo a Passo, da PubliFolha. Apesar de pequeno, recomendo bastante. De resto, para decidir o que fazer com meu tempo curto na cidade, além de alguns blogs randoms que encontrei, me baseei bastante no Japan Guide. O site separa a cidade em regiões e locais visitados, em eventos anuais e também apresenta as cidades próximas a Tokyo que você pode visitar. Além de explicar detalhadamente cada local, ainda diz os horários que abrem e fecham, se há algum custo para entrada e os dias que estão fechados. Muito, mas muito útil mesmo. Me ajudou a encontrar muitas coisas.

Em Tokyo, fiquei hospedada em Shinjuku, uma das áreas mais nobres da cidade. Minha escola de idiomas era lá, mas para qualquer lugar que fosse eu precisava enfrentar a Estação de Shinjuku – a maior de Tokyo e uma das maiores do mundo. O número de pessoas que passam por lá diariamente é assombroso. Assombrosa também é a extensão das linhas de metrô e trem da cidade.

Como turista, recomendo comprar o Japan Rail Pass, ou JR Pass. Essa é uma das empresas responsáveis pelos trens, ônibus e o trem bala (shinkansen!) que liga várias partes do Japão, em especial, Tokyo e Kyoto. Mas atenção: o passe, que te dá desconto em todas essas linhas, não é vendido no Japão! Antes de fechar as malas, é necessário comprar o ticket pela internet. Apesar das linhas da companhia serem três vezes maiores que as de São Paulo, todas são dividas por cores e bem sinalizadas: você sempre encontrará placas em Tokyo com escritas em japonês e romanizadas. No trem, eles também anunciam a próxima estação em inglês – no visor e por voz. Então sem estresse, você só precisa prestar atenção e não se perderá.

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Kyoto possui uma atmosfera única, os templos são gigantes e te tiram o fôlego. Você pode encontrar aprendizes de gueisha, as maikos, andando pelas ruas e elas tiram foto com você com o maior prazer. Pode-se alugar yukatas e quimonos também, para se vestir assim como elas por um dia (Foto: Juliana Aguilera)

Para finalizar, gostaria de dizer para não terem medo do “exótico” que encontrarão no Japão. O país pode ser menos atraente que Europa e Estados Unidos, mas guarda características únicas que te surpreenderão. Falo pela experiência de ter visto minha mãe com medo do que encontraria lá e por fim se apaixonar pelo local. E ainda me disse que quer voltar pro Japão, para conhecer outros lugares.

 

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Sobre o autor

Somos três amigos que compartilham o sonho de conhecer os quatro cantos do mundo. Da vontade de explorar diferentes lugares e da busca constante por novas experiências, surgiu o RoadTrio: um site que reúne informações, dicas e notícias do que não se pode perder por aí e é essencial para qualquer viajante.

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