Texto escrito pelo leitor Anderson Pizzolato

A China é, sem dúvidas, um destino curioso. Por ter cultura e costumes bem diferentes dos brasileiros, a viagem – longa, diga-se de passagem – se torna ainda mais interessante e com muita história para contar. Eu tenho algumas bem diferentes.

Depois de 35 horas de viagem, saindo de São Paulo, sendo 25h de vôo e 2 escalas (Frankfurt e Pequim), finalmente cheguei à Xiamen, no sudeste da China. De cara, o primeiro desafio: a maioria dos moradores não fala inglês (nem mesmo o básico), e praticamente não se vê ocidentais caminhando pelas ruas, o que gera muita curiosidade por parte dos amáveis chineses desta ilha próxima de Taiwan. Todos são muito sorridentes e acolhedores, mas a comunicação só acontece por meio de mímicas .

A comunicação é, sem dúvidas, uma das maiores dificuldades (Foto: Anderson Pizzolato)

Na maioria dos locais, até mesmo no hotel (único lugar que uma ou outra pessoa fala um inglês bem básico), as pessoas olham com muita curiosidade para mim e tentam uma aproximação. A palavra ‘Brasil’ praticamente não é reconhecida, apenas quando aponto nosso país no mapa todos arregalam os olhos e soltam um longo ohhhhh.

Logo de cara resolvi explorar a culinária local. Descobri que ela é baseada em frutos do mar, com temperos fortes e muito shoyo. Fui em um hot pocket, local onde os peixes, crustáceos e frutos do mar são mantidos vivos e você escolhe na hora o peixe que vai comer. O restaurante era pequeno com mesas e cadeiras para fora. O peixe estava uma delícia, bem temperado, mas a higiene não é o forte por lá.

A culinária local é baseada em frutos do mar, com temperos fortes e muito shoyo (Foto: RoadTrio)

Com muito custo pedi uma cerveja, que não veio tão gelada como todas as outras que pedi depois. Na mesa ao lado, percebi que uma família estava mandando ver em shots de cerveja. Entre um copinho e outro, tomavam também um liquido transparente – faziam cara feia para engolir e batiam o copo na mesa. Na hora pensei “olha a tequila aí!”, e “já que estou aqui vou experimentar a tequila chinesa”.

O garçom trouxe prontamente, me preparei e mandei uma para dentro; certamente fiz a mesma cara feia que eles porque o negócio desceu queimando. Literalmente! O que a família estava bebendo não nada super alcoólico, era simplesmente água quente! Os chineses tomam um gole de água quente entre um shot e outro de cerveja morna. Um costume bem diferente, mas que vale a pena tentar… uma vez.

Em restaurantes, peixes, crustáceos e frutos do mar são mantidos vivos e você escolhe na hora o que vai comer (Foto: Anderson Pizzolato)

Além da culinária

Motinhos elétricas… Elas estão em todos os lugares: nas ruas, na contra mão, nas calçadas. O pessoal manda ver, vão buzinando e o povo saindo da frente como se não houvesse amanhã. Me empolguei, claro, e não pude passar sem essa. Aluguei uma a beira mar, próximo do forte, 100 yuan por 1 hora (valor mais ou menos equivalente a 15 dólares).

Motinhos elétricas podem ser alugadas a beira mar, próximo do forte, 100 yuan por 1 hora (Foto: Anderson Pizzolato)

Andei cerca de 15Km e valeu muito a pena. Dei um giro rápido por lá e vi quais locais eu voltaria com mais calma. Voltei em 3: um templo budista, o forte e uma rua tipo a 25 de março, só que um pouco mais organizada (Ah! O rapa estava lá também).

O maior Templo Budista da Cidade de Xiamen (Foto: Anderson Pizzolato)

Templo Budista
Não é muito grande, mas é o maior Templo Budista da Cidade de Xiamen. Ele está localizado no meio de um lindo jardim, com uma atmosfera bem propícia para meditação. É lindo e vale a pena conhecer. Na parte de trás do templo tem uma enorme escadaria que te leva ao topo da montanha. São aproximadamente 50 minutos de subida moderada, com diversas paradas para curtir o visual ou meditar.

No meio da subida podemos ver enormes pedras “sustentadas” por pequenos galhos. Este é o símbolo do velho ditado que resume bem uma das principais características da cultura chinesa: “a união faz a força”.

Ele está localizado no meio de um lindo jardim, com uma atmosfera bem propícia para meditação (Foto: Anderson Pizzolato)

Ao lado dele, existem algumas vielas com restaurantes e hotéis típicos e quem quiser fazer uma imersão na cultura pode colocar o local no roteiro. Entre o templo e as vielas levei cerca de 40 minutos.

Forte
O local é grande e próximo ao Templo Budista, levei cerca de 2 hora para conhecer tudo. A dica é usar sapatos bem confortáveis, pois tem diversas escadas, subidas e descidas.

O principal ponto é um canhão enorme, conservado até hoje. A lojinha de souvenir tem réplicas de armas antigas, por um bom preço (cerca de 99 yuan), bem legal.

O Forte fica próximo ao Templo Budista (Foto: Anderson Pizzolato)

Mercado de Peixe em Xiamen

Um local um tanto quanto pitoresco! Este mercado é famoso pela sua enorme variedade de peixes, moluscos, anfíbios. Até cobra tem! Todos tão frescos que ainda estão vivos, vivinhos da silva. As cobras, apesar de vendidas livremente, não são permitidas. No entanto; jacarés, tartarugas (centenas delas) e sapos são vendidos, na maioria das vezes vivos. Apesar do grande choque cultural, vale a pena conhecer.

Este mercado é famoso pela sua enorme variedade de peixes, moluscos, anfíbios (Foto: Anderson Pizzolato)

25 de março original
Tem a rua principal e as vielas. Este local fica próximo ao ferry boat. Andei por todas as vielas e ruas e levei cerca de 3 horas. Nestas ruas tem de tudo: comida, eletrônicos, roupas, bolsas, além dos famosos pé de galinha empanado (eles adoram), barata do mar, bicho vivo, bicho morto, bicho empanado, bicho conservado no sal, entre outros. É importante ir antes de almoçar ou bem depois do almoço já que em muitos locais o cheiro de peixe é fortíssimo.

Em uma destas vielas encontrei um local que faz um tipo de relaxamento bem diferente. Basta entrar na loja e colocar seus pés dentro de um aquário e os peixes imediatamente começam a bicar o seu pé. No começo quase desisti de tanta cosquinha. Os chineses choraram de rir, começaram a filmar e acho que até rolou uma transmissão ao vivo para o Periscope.

Depois de controlar as cócegas o relaxamento fica bem gostoso, ainda mais depois de andar horas. A sensação é de uma cosquinha bem de leve na sola do pé. O relaxamento custa 25 yuan e você pode ficar o tempo que quiser ou que conseguir. Na loja eles disponibilizam wifi de alta velocidade e carregador de bateria com cabo.

Depois dessa só restava voltar para o hotel.

Veja mais fotos na galeria abaixo:

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Sobre o autor

Somos três amigos que compartilham o sonho de conhecer os quatro cantos do mundo. Da vontade de explorar diferentes lugares e da busca constante por novas experiências, surgiu o RoadTrio: um site que reúne informações, dicas e notícias do que não se pode perder por aí e é essencial para qualquer viajante.

4 Respostas

  1. MariaMárciaVieira

    Presados Senhores RoadTrio,
    Eeeh…. muito interessante as Vossas perspectivas de em Viagem.
    Resido fora do Brasil já a mais de 33 anos. Entre algumas viagens-de-trânsito pela América Latina. Só de CHINA carrego a meu favôr 20 anos completo, gosto-a-beça…. haha!!
    Para o momento…. aguardo por mais publicações Vossas falando de viagens, e obrigada a todos!
    Felicidades….

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